A situação das pessoas em situação de rua em São José tem sido um dos focos do Observatório de Políticas Públicas de Assistência Social, iniciativa do gabinete do vereador Cryslan Jorjan de Moraes na Câmara Municipal. Com a publicação do Relatório Temático n° 01/2026, o gabinete apresenta os dados públicos mais recentes sobre o tema e anuncia os próximos passos: cobrar respostas do Executivo municipal, divulgar os resultados e promover debate público sobre o que está funcionando e o que precisa mudar.
O ponto de partida é um dado que não pode ser ignorado: das 396 famílias em situação de rua registradas no CadÚnico em São José, 301 já recebem Bolsa Família e, ainda assim, permanecem na rua. Em Santa Catarina, a população em situação de rua quase quintuplicou em sete anos. No Brasil, o crescimento foi de mais de 38% em um único ano, entre 2022 e 2023. Tudo isso em período de expansão contínua dos gastos sociais nas três esferas de governo, o que evidencia um problema de modelo, e não de escassez de recursos.
O relatório examina a estrutura municipal de atendimento, que conta com Centro POP, três casas de passagem com 96 vagas e equipes de abordagem social. São serviços necessários, mas todos de natureza emergencial e de custeio contínuo, voltados a administrar a permanência na rua, não a resolvê-la. O que o Executivo não publica, e o Observatório passará a exigir, são os indicadores de resultado: quantas pessoas saíram efetivamente da situação de rua por ano, qual o custo por pessoa reinserida e qual a taxa de retorno às ruas.
O gabinete avalia o encaminhamento de requerimento formal ao Executivo cobrando respostas sobre sete pontos: adesão ao Plano Ruas Visíveis e aos programas federais Imóvel da Gente e Aproxima; providências para pleitear recursos e imóveis da União; número de pessoas que saíram da situação de rua nos últimos cinco anos; custo anual total da rede de atendimento e custo por pessoa reinserida; cronograma do Serviço de Família Acolhedora, cuja efetivação estava prevista para 2025; metas de saída associadas a eventual ampliação das vagas de acolhimento; e parcerias com OSCs, Sistema S e iniciativa privada para qualificação profissional e emprego.
As respostas obtidas serão divulgadas publicamente. O Observatório comparará os dados com os indicadores já levantados e avaliará se o município está orientando sua política para a saída da rua ou apenas administrando a permanência. Com base nisso, o gabinete promoverá debates públicos sobre o tema, com participação da sociedade civil e acompanhamento técnico em parceria com entidades com experiência na área.
“Os recursos que financiam essa política são dos contribuintes de São José. A população tem direito de saber quanto se gasta, quantas pessoas saíram da rua e o que está funcionando. Vamos cobrar esses dados, divulgar os resultados e propor soluções concretas. Fiscalização sem proposta é oposição vazia; proposta sem fiscalização é promessa vazia”, afirmou Cryslan.
O Observatório seguirá publicando relatórios temáticos com dados públicos, análise de resultados e propostas orientadas à autonomia das pessoas, cumprindo o compromisso do mandato de avaliar política pública por resultado, não por intenção nem por volume de gasto.